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terça-feira, 30 de março de 2010

"Como ouvi Linda cantar por seu amigo José"

Se sabeis novas do meu amigo
novas dizei-me que vou morrendo

(...)



Manuel Alegre

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Breaking Dawn - Stephenie Meyer


"My head was too crazy. My thoughts bounced around inside my skull like a disoriented swarm of bees. Noisy. Now and then they stung. Must be hornets, not bees. Bees die after one sting. And the same thoughts were stinging me again and again."

"I´d fantasized about Bella that way too many times, back when there was still a possibility of us, and then long after it was clear that the fantasies would only leaves festering sores because there was no possibility, none at all. I hadn't been able to help myself then. I couldn't stop myself now."

"I felt like - like I don't know what. Like this wasn't real. Like I was in some Goth version of a bad sitcom. Instead of being the A/V dweeb about to ask the head cheerleader the prom, I was the finished-second-place werewolf about to ask the vampire's wife to shack up and procreate."

"Why do you always have to love the wrong things?"

"I'll never take anyone's will away from him."

"Maybe I just couldn't resist another hit of my dwindling drug suply."

"Great, now I was the court jester."

"I didn't think about our conversation. Not because there wasn't anything to think about, but because I couldn't stand it."

"Magic wasn't gooing to save me. I was just going to have to take the torture like a man. Suck it up."

"Stenght and hate and heat - red heat washing through my head, burning but erasing nothing. The images in my head were fuel, building up the inferno but refusing to be consumed. I felt the tremors rock me from head to toe, and I did not try to stop them."

"Only the known is safe. Only the known is tolerable. The unknown is... a vulnerability."

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009



"Icarus would die again because his life was never worth as much as the sky above the sea"



quarta-feira, 25 de junho de 2008

"'Screvo meu livro à beira-mágoa. "

"Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"

"O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade. "

"(...)Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor. "

"Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura."

"Ser descontente é ser homem. "

"Tenho meus olhos quentes de água. "

"'Screvo meu livro à beira-mágoa. "

"Quando, meu Sonho e meu Senhor?"

Mensagem – Fernando Pessoa



Que seria de mim se, no meio dos meus desesperos, uma voz lenta e calma e plácida e profunda, não soasse na minha cabeça, como se o autor dos versos que recordo falasse comigo e me lembrasse do que é ser. Oh, Fernando Pessoa, quando estou muito triste, quando não me lembro de mim, quando as coisas não fazem sentido, tu dizes-me tudo o que há para ser dito.

Assim, hoje relembrei pensamentos perdidos.

Relembrei que, sem as minhas loucuras, os meus devaneios, minhas ideias bizarras, meus raciocínios estapafúrdios, sem coisas destas, eu não progrido, pois não inovo, não crio, pois não evoluo.

Relembrei que, se não visse constantemente o Futuro na minha mente, se não visse cenários, situações, pessoas, (personificações dos meus sonhos realizados), que para os outros são invisíveis, então perderia a vontade de lutar. Cada um sonha com aquilo que pensa ser recompensa suficiente para os seus actos. Alguns sonham com riqueza, alguns sonham com amor, e essas recompensas, se um dia a eles chegarem, bastarão para os realizar. Mas, para mim, "os beijos merecidos da verdade", estão na glória e no sucesso.

Relembrei que a dor que sinto, é necessária para que ultrapasse as adversidades que se prostram à minha frente e que, se a dor parece excruciante, então a recompensa ser-lhe-á proporcional. Valerá sempre a pena continuar, por mais que cada acto básico e simples do quotidiano doa.

Relembrei que aqueles que se sentem totalmente felizes não conhecem o prazer do desafio, o calor que cresce no ventre daquele que sonha com aquilo que não existe ainda, mas que acredita que virá a acontecer. Aqueles que não sonham já perderam a vontade de viver (se alguma vez a tiveram) e estão apenas à espera da morte, que os levará e eliminará a sua existência.

Relembrei que estar num constante desassossego é apanágio da condição humana. Aquele que não está descontente com nada é conformista e não tenta deixar a sua marca no Mundo.

Relembrei que não é errado nem humilhante que o criador se emocione com aquilo que criou e a que deu origem, assim como um pai se emociona com o filho. Enquanto sentir o que escrevo como se da minha vida se tratasse e enquanto desesperar com a frustração do presente e do errado, serei fiel aos meus escritos e às minhas crenças e valores.

Relembrei que não saber o que me espera é o que me guia. É o descohecimento que me orienta e que me continuará sempre a dar vontade de viver e de perguntar "Quando, meu Sonho e meu Senhor?".





Deste modo, aceitei minha dor e entendi o seguinte: por mais feliz ou satisfeita que me encontre em determinado momento, por trás da felicidade, as minhas dúvidas, mágoas, tristezas e frustrações estarão à espreita, esperando pela altura em que a alegria se começa a desvanecer, atacando-me, fazendo com que eu nunca deixe de reflectir, de sonhar e de traçar novos planos e objectivos. Quando a dor for lancinante, terei sempre os meus vícios, através dos quais faço a catarse da mágoa e, esses mesmo vícios, abandonam, então, essa denominação depreciativa, uma vez que me dão prazer e calma, tornando-se em algo bom.

Por fim, termino com o verso mais lindo da obra "Mensagem", "'Screvo meu livro à beira-mágoa. ". Apesar de desconhecer o futuro, sei que sempre escreverei até ao dia em que a minha vida mortal terminar. Sei, também, que escreverei sempre à beira da minha mágoa, quer sejam contos, histórias, romances ou poemas, pois é essa mágoa, quer minha, quer de outrem, que me inspira, que me eleva, que me faz reflectir, que me faz criar, que me mantém viva, que faz com que, a cada lufada de ar que inspiro, tenha vontade de continuar e de lutar.

domingo, 22 de junho de 2008

Here's to you mate


Há cerca de dois meses atrás um grande amigo, comentando um poema meu, escreveu o seguinte:


"Pobre Catarina que morre entre as linhas da poesia. Derrete-se no alcohol e morre entre o papel."



É fantástico como consegues dizer coisas tão bonitas e que são mesmo muito reais... Cada vez mais reais. Nem sei se isso será bom ou mau...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Ele estava cansado, eu sentia-o, cansado de se esforçar, cansado de trabalhar, cansado de lutar, cansado de amar, cansado de querer sempre mais, cansado de não perceber, cansado de existir."


"Pagãos inocentes da decadência" (by: me)

terça-feira, 18 de março de 2008

Lady Windermere's Fan - Oscar Wilde



  • Life is far too important a thing ever to talk seriously about it.

  • We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.

  • Experience is the name everyone gives to their mistakes.

  • Actions are the first tragedy in life, words are thesecond. Words are perhaps the worst. Words are merciless. . .

  • To shut one's eyes to half of life that one may livesecurely is as though one blinded oneself that one might walk withmore safety in a land of pit and precipice.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ran (1985)

"Man is born crying. When he has cried enough, he dies."

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Peter Pan - James Matthew Barrie



"(...) no conjunto, as Terras do Nunca têm um certo ar de família em comum (...)"


"Nessas praias mágicas, as crianças brincam eternamente, puxando os seus botes para terra. Também nós já lá estivemos; ainda conseguimos ouvir o som da rebentação, embora já não possamos desembarcar."


"Quando nela se brinca, de dia, com as cadeiras e a toalha de mesa, a Terra do Nunca nada tem de assustador, mas nos dois minutos antes de adormecer torna-se quase, quase real."



"- Porque é que já não sabe voar, mãe?
-Porque já sou crescida, meu amor. Quando as pessoas crescem esquecem-se de como se faz.
- Porque é que se esquecem?
- Porque já não são alegres, inocentes e cruéis. Só quem for alegre, inocente e cruel é que consegue voar."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

"Paranoid Park" - Blake Nelson


"É o que têm os segredos, acabam por nos enlouquecer. Mas enlouquecem-nos mesmo. Isolam-nos dos outros. Separam-nos da nossa tribo. Acabam por nos destruir. A não ser que uma pessoa seja forte. A não ser que uma pessoa seja muito, muito forte."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

LIVE!

LIVE!
EITHER YOU LIKE TO BE QUIET OR SCREAM!
EITHER YOU ARE ALONE OR WITH SOMEONE!
LIVE,
LIVE AND ENJOY EVERY MOMENT, EVERY SMILE, EVERY WORD, EVERY LOOK, EVERY GESTURE, EVERY FACE, EVERY DAY, EVERY HOUR, EVERY MIUTE, EVERY SUNRISE, EVERY SUNSET, EVERY LAUGHTER, EVERY TEAR, EVERY HEARTACHE, EVERY PLACE, EVERY CRUSH, EVERY FRIEND, EVERY HOT GUY, EVERY DANCE, EVERY MUSIC, EVERY SOUND, EVERY SCREAM, EVERY EMBARRASSMENT, EVERY PROUD, EVERY JOY, EVERY SADNESS, EVERY BOOK, EVERY MOVIE, EVERY TOUCH, EVERY HUG, EVERY KISS, EVERY HARD WORDS, EVERY COMPLIMENT!
JUST LIVE, KEEP LIVING, KEEP ENJOYING, LIFE'S A BEACH!

LIKE MARK TWAIN ONCE SAID:

“Sing like no one's listening, love like you've never been hurt, dance like nobody's watching, and live like its heaven on earth.”

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Tristão e Isolda


"O homem não deve odiar o que adorou, pode unicamente libertar-se, afastar-se, desprender-se disso."

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd






Mrs. Lovett: Yes, I lied ‘Cause I love you!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Heath Ledger - Rest in Peace

4 Abril 1979 - 22 Janeiro 2008


"I only do this because I'm having fun. The day I stop having fun, I'll just walk away. I wasn't going to have fun doing a teen movie again.... I don't want to do this for the rest of my life....I don't want to spend the rest of my youth doing this in this industry. There's so much I want to discover." - August 2000

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ernest Hemingway - "Paris é uma festa"



"Dizem que as sementes daquilo que havemos de realizar se encontram já todas dentro de nós, mas sempre me pareceu que, naqueles que troçam da vida, as sementes se encontram cobertas de melhor terra e de uma percentagem mais alta de adubo."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Best of "Crazy"

Aqui fica a selecção das melhores frases do melhor livro de sempre. "Crazy"




“ (…) A vida é qualquer coisa como nunca pensarmos nela.”


“ – Porra, e se as calças me caírem?! – pergunta desesperado.

- Então esta merda deste pátio pindérico tem, finalmente, algo de interessante para ver!”


“E tudo isto só por causa das miúdas, penso. Agora venham-me dizer que não preciso delas. Na segunda noite na estou pendurado como um tarado no muro de um castelo para ir ter com elas.”


“Não conseguirei sempre aquilo que quero, mas podes ter a certeza de que vou experimentar aquilo que posso.”


“Toda a juventude não passa de uma única e imensa procura do fio.”


“Sinto vontade de morrer. É incrível como uma pessoa se pode entusiasmar tão depressa. É só preciso ver um traseiro jeitoso. (…) É que mal chegamos aos treze anos e as miúdas e os seus traseiros transformam-se em pura droga.”


“Aos dezasseis anos a vontade de um gajo é simplesmente dar uma valente estocada. Com dezasseis anos o que as miúdas querem é receber uma valente estocada.”


“Por que é que não continuamos todos a ser simplesmente uns rapazinhos? Que pretendem curtir um pouco esta vida? Dar umas quecas, rir, ser felizes.”


“Este mostra uma cena do filme fantástico Dragonheart. Um dragão enorme que expele fogo luta com um cavaleiro da Távola redonda. We will always suceed! – Pode ler-se.”


“Há-de chegar a altura em que Ele nos livra desta merda e nos dá a mão para nos ajudar.”


“O que eu precisava era de uma fase da «casa das putas.»”


“Eu não quero ser mais um espectador. (…) Não quero continuar de fora, na escuridão, a olhar para o palco. (…) Agora também eu quero subir ao palco.”


“Eu diria que nascemos para concretizar ideias malucas.”


“Um homem é um homem, um bicho é um bicho.”


“Janosh é um rochedo. Todos o sabem. (…) Ele é simplesmente o Janosh. E isso chega.”


“O Félix gordo adora os Ferraris. Tem um catálogo com todos os modelos. À noite chega mesmo a levá-lo para a cama para lhe sentir o cheiro.”


“- O vosso amigo é sempre assim tão rude?

- Claro, foi ele que inventou a palavra rude.”


“- Há aí alguém capaz de me dizer por que é que havemos de ser precisamente nós os primeiros a fazerem todo o tipo de merda?

- Simplesmente porque estamos vivos (…) e porque somos novos.”


“ - Sempre que escrevo um ditado faço vinte erros.

- Já pensaste que talvez tenha sido por isso que te espetaram com um seis a Alemão?

- Ainda não pus totalmente de parte a hipótese.”


“Está-me a parecer que o melhor é dar-lhe mesmo uma valente estocada e o assunto fica arrumado. É mais fácil. (…) Talvez consiga com o caralho o que não consigo com a cabeça.”


“O pessoal vive. Havemos sempre de viver. Havemos de viver tanto tempo até que não exista mais nada para viver.”


“Se aquilo que fazemos está certo ou errado, isso deixamos à Sua consideração. Ele que nos diga quando estivermos na Sua presença.”


“E sorriu aquele seu sorriso grande e largo, que vai de orelha a orelha. Como gostaria de lhe partir todos os dentinhos.”


“Mas é preciso arriscar senão não se consegue nada na vida.”


“ - Não podes desistir, Benni! O ser humano nunca deve desistir.

- Mesmo quando às vezes se torna mais fácil desistir?

- Nem mesmo nessas alturas.”


“A vida é excitante. Está sempre a acontecer algo novo.”


“Todos nós irradiamos a nossa luz própria dentro do sistema da nossa amizade.”


“É preciso beber a vida a jorros.”


“ – A vida é uma tentativa.

- E o que é que nós andamos a tentar?

- Andamos a tentar experimentar tudo.”


“Adoro mexer em livros. Transmite-me uma sensação de tranquilidade. A sensação de que neste mundo ainda existe algo que podemos agarrar e manter junto de nós. Apesar de tudo se esboroar e correr vertiginosamente à nossa volta.”


“Cada expressão, cada observação acerta em cheio no meu coração. Não tarda que os olhos se me encham de lágrimas. Acontece-me sempre isto. Os livros bons fazem-me chorar. Chorei baba e ranho de todo o tamanho quando li A Ilha do Tesouro e choro agora ao ler O Velho e o Mar. pelos vistos, é a minha sina.”


“Literatura é quando tu lês um livro e podes sublinhar cada uma das frases, porque sai autênticas.”


“ – Toda a pessoa é corajosa e valente ao mesmo tempo.

- E porquê?

- Porque cada um se levanta da cama de manhã e vai à sua vida sem enfiar uma bala nos miolos. Isso é um sinal tanto de coragem como de valentia.”


“Janosh é a vida. A luz. E o sol. E se existir um Deus, então Ele manifesta-se através do meu amigo. Disso tenho a certeza. Só peço que Ele o abençoe.”


“ – E tu conheces um filme melhor?

- Braveheart. (…) Esse é que é um bom filme. Mel Gibson é crazy. Além disso, eu curto a Escócia à brava.”


“Meu Deus, obrigada pela vida que me deste! E manda vir mais uma rodada de Bacardi para todos.”


“Lebert! Nunca hei-de esquecer esta noite. Digo-te! E nela está gravado o teu nome!”


“Eu fico logo de pau feito. Parece que me quer rasgar as jeans”


“ – Aposto que não tens tomates para subir ao palco e enfiar-lhos no slip.

- Ai não, não tenho.

- Vamos juntos?

- Vamos juntos!”


“ – Vocês já se aperceberam de que são os melhores, não? Os melhores que eu jamais tive.

- Sim, sim. Nós já sabemos disso. Estás bêbedo que nem um cacho.

- Talvez esteja, talvez esteja. Mas vocês sabem que são os melhores. Os melhores que jamais tive.

- Claro e tu também és o melhor que nós jamais tivemos. Nós já percebemos isso!

(…)

- Todos nós somos os melhores! Uns heróis! Crazy!”


“ – E onde é que nos encontramos neste momento?

- No caminho da vida.

- E nós fazemos e encontramos… novas histórias.”

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Génioooo!!!


Mário de Sá-Carneiro

“Primeiros Contos” – “O Incesto”


"(…) Se a pena corria veloz negrejando as folhas banais de almaço pautado, o dramaturgo esquecia a vida, esquecia-se da sua dor.

Oh! A alegria inefável de vermos os nossos pensamentos tomar forma, de irmos vendo alinharem-se pouco a pouco as palavras que os traduzem e depois, de lermos em voz alta a página escrita, batendo bem as sílabas, para emendarmos o que soar mal, polindo aqui uma frase, alem outra frase, até conseguirmos o perfeito ritmo! E um capítulo que termina, um acto de que se escreveu a ultima réplica sobre a qual o pano há-de cair bruscamente, um período rutilante, bem equilibrado, sonoro, onde pusemos todo o nosso amor, toda a nossa alma… E tudo isso saiu do nosso cérebro; tudo isso é nosso, é bem nosso! Fomos nós que o criámos. Se não fôssemos nós, não existiria!

Um artista pode sofrer muito, ser muito infeliz até à morte. Acredito mesmo que entre os artistas se enfileirem alguns dos grandes desgraçados da terra. No entanto, na desventura dum artista – por amarga que ela tenha sido – brilhou sempre um raio de sol. A sua desgraça não foi com certeza a duma existência vazia e desoladora – que é a maior e mais real miséria deste mundo.

O prazer de criar avantaja-se a todos. Em frente da arte, o artista esquece. A sua dor, se não se cura, suaviza-se pelo menos. A arte é um refúgio. Eis a sua única utilidade – digamo-la baixinho: Se não fossem os belos livros da minha estante e as páginas de má prosa que escrevo de vez em quando, há muito que eu teria dado talvez um tiro nos miolos.

Nas suas grandes dores, que são uma guloseima negada ou um puxão de orelhas, a criança refugia-se junto dos seus brinquedos, e abraça-os e beija-os. O artista, na sua angústia, consola-se com a sua arte. É que a arte, é também no fundo um «brinquedo». Os homens são crianças eternas.

Escrever histórias, meus amigos, não é seguramente o melhor emprego que se pode dar aos anos da nossa vida. Eu digo isto e escrevo histórias. Desbarato tempo? Sem duvida. Mas gosto muito de escrever histórias. Acima de tudo, devemos fazer aquilo de que gostamos.

- É o que toda a gente faz! – Gritam-me.

Perdão. A maior parte da gente faz um grande número de coisas que não gosta de fazer e que podia muito bem deixar de fazer. Mas fá-las porque toda a gente as faz: Ninguém se deita as oito horas da noite. Eu, quando me apetece deitar-me a essa hora, deito-me. Os outros não o fazem, mesmo que tenham muito sono, simplesmente porque ninguém se deita as oito horas. Eis uma das poucas coisas de que me posso orgulhar na minha vida: Nunca fiz nada que não gostasse de fazer e que pudesse deixar de fazer."

sábado, 13 de outubro de 2007

I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, to discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear; nor did I wish to practice resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms, and, if it proved to be mean, why then to get the whole and genuine meanness of it, and publish its meanness to the world; or if it were sublime, to know it by experience, and to be able to give a true account of it in my next excursion.



Henry David Thoreau (1817 – 1862)

Perguntas

Este é o texto fantástico que tive de ler a português. Acho que nunca o esquecerei. Apareceu-me como que um sinal...


"JL - 27/Março/2007

Verdades quase verdadeiras - José Luís Peixoto

Perguntas

Lá fora, evidentemente, existem todas as cores do dia e todos os mistérios que a luz é capaz de inventar quando pousa sobre troncos de árvores, quando atravessa as folhas das ervas – torna incandescente o seu verde – e se afunda na terra sagrada ou nesse futuro onde de decompõe os restos dos nossos antepassados e todas as memórias que deixámos cair

Passaram muitos anos. Quando, por acaso, por instantes, nos detemos na distância desses anos – envoltos por nascimentos invisíveis, dúvidas invisíveis e segredos esquecidos –, parece-nos que tudo costumava ser mais simples. Talvez nos enganemos ou talvez não, aí as nossas histórias separam-se. No entanto, tudo isso é irrelevante e não tem sequer o interesse de um grão de pó pousado na ponta afiada de uma agulha. Aquilo que é verdadeiramente importante e feito para príncipes existe ainda, transborda no mudo. Esta é a minha opinião particular porque, quanto a este assunto, não posso falar por nós. Creio que nunca me contaste esses pormenores de ti, talvez porque nunca tos tenha perguntado. Se não te importares, responde agora. Por favor, responde.

Gostavas que amanhã fosse igual a hoje? Gostavas que o resto de hoje fosse igual a ontem? Em que pensas quando sobes ou desces no elevador? Já sabes, neste momento, onde estarás hoje às nove da noite? Usas uniforme quando trabalhas? (Pensa bem antes de responderes.) Se não, estarias na disposição de usar? Se sim, quais são os pormenores com que te distingues? Quando foi a ultima vez que imaginaste que morrias e que todos aqueles que te magoaram se arrependiam? Tens horas para entrar? Como te sentes hoje? (Mesmo, como te sentes mesmo.) Se a tua vida fosse um jogo de futebol, quantos minutos já teriam passado desde o início? Quantos minutos faltariam para o fim? Primeira ou segunda parte? Prolongamento? (Claro que a tua vida não é um jogo de futebol.) Por dia, quantas vezes afastas o olhar daquilo que pára à tua frente? Achas que pode existir alguma espécie de prazer naquilo que põe a vida em risco? Perante janelas abertas, já surpreendeste o teu espírito a lançar-se? (Ao dizer «espírito», quero mesmo dizer «espírito».) Quanto cobras por uma hora do teu tempo? Quanto vale uma hora do teu tempo? (Tempo.) Passas muito tempo a esperar? Por dia, quanto tempo passas a esperar por semáforos e horas certas? Por dia, quanto tempo passas a contrariar-te? Quantas horas passas sentado? O que são dores de costas? Consegues descrevê-las? Hoje, ao acordar, interrompeste algum sonho? Como era? (Descreve esse sonho numa folha de papel, como esta, e guarda-a entre as paginas de um livro.)

Estas perguntas são apenas alguns exemplos. Não precisas de responder a estas perguntas, basta que respondas a uma pergunta que englobe todas estas, que seja o oceano onde todas estas perguntas flutuem. Não é difícil formular essa pergunta. É constituída pelo verbo «ser» e pelo verbo «estar». As respostas, normalmente, são longos poemas juvenis, escritos a esferográfica azul, em folhas pautadas, com desenhos nas margens – flores e coisas assim –; são poemas de quando ainda não tínhamos mudado de letra e treinávamos assinaturas; são poemas cujo título, sem variações, é «Eu». Como é óbvio, esses poemas podem ter prescindido das palavras e demais adereços, podem ter ficado desenhados no ar, fotografados, isolados por todos os que os testemunharam, ou podem ter permanecido anónimos e misturados com sombras da casa onde já não vive ninguém, de portas e janelas fechadas para sempre. Foi nesse instante, passagem do tempo, que percebemos que os objectos não podem dizer «eu», as memórias não podem dizer «eu». Só um par de olhos vivos e fixos no espelho podem dizer «eu» Foi também nesse instante que percebemos que havia universos inteiros que não eram «eu», que não tinham essa verdade e que, por esse motivo absoluto, eram fascinantes e pediam para ser descobertos. Universos que existiam tanto nos detalhes, como nas leis que fundamentam a humanidade. Eram concretos e específicos. São ainda concretos e específicos. É por tudo isto que, sem mais rodeios, te quero dizer: tens o direito de sair agora mesmo por aquela porta. Depois dela, sentiras um toque ligeiro no estômago – como a falta de algo – e, logo a seguir, estarás sem protecção perante o céu e perante o chão. Se quiseres, poderás descalçar-te e sentir a terra ou todos os destroços com que a povoámos. Ninguém poderá dizer-te um número de coisas que poderás fazer. Pensar nestas possibilidades é como cair dentro de uma multiplicação. Todas as roldanas desse mecanismo existem dentro de ti e, ate agora, têm estado adormecidas. Aquilo que tens de decidir não se prende apenas como o teu corpo, ainda qualquer coisa, a caminhar por aquela porta e a sair, com ou sem esperança de regressar; aquilo que tens de decidir é, sobretudo, o tamanho da tua disposição para entrares pelo buraco que tens aberto no peito.

Nisso, somos iguais. Eu, tu, aquela pessoa lá ao fundo e aquela, que passa por trás daquelas paredes. Em segredo, alimentamos a crença irracional de que, nos gestos que fazemos, poderá existir algum truque – um pequeno irreconhecível – que nos distinga até da imagem que construímos de nos próprios, até de tudo. A verdade é como uma superfície polida de mármore: não existe nada assim. Existe o dia lá fora, já te disse. Existem corpos de brisa, gigantes, a correrem pelas ruas com roupas rasgadas, a tocarem nos cabelos e nos rostos, a varrerem a nitidez das paisagens.

De qualquer forma, antes daquilo que poderá vir a ser, quero que saibas que podes olhar-me nos olhos – estou aqui – e podes fazer-me todas as perguntas que quiseres e que conseguires fazer. Não sei que conforto tenho para te oferecer, mas posso assegurar-te que, com respostas certas e erradas, com bocejos e tiros de revolver, saberei responder a todas as perguntas."